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A mostrar mensagens de Abril, 2010

Hoje sei

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"Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos magoa, é não ver o futuro que nos convida." (PabloNeruda)

Poderia perder-me a mim mesma, como tantas vezes o fiz. Poderia perder isto e aquilo, aqui ou até mesmo ali bem longe, agora ou noutro dia qualquer, mas jamais poderia ter-te perdido.
O presente implica um hoje bastante diferente do do passado, um hoje ao qual tu não mais pertences. O presente pode ter um descrição sarcasticamente simples: os segundos repetem-se sem sentido, como que mecanizados; mil e um caminhos se impõem durante o meu percurso, mas falta a tua presença para que possa decidir por qual devo seguir; dezenas de sentimentos completamente diferentes me abraçam, dizendo-me bem baixinho ao ouvido que partiste, dizendo-me que partiste e não voltarás mais.
Muitas vezes ouvi a palavra "saudade" e sempre tive uma básica ideia do seu significado, mas hoje sei o que ela realmente transmite . Sei-o quando acordo e não estás mais…

Dizer

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Existem palavras que somente podem ser ditas no silêncio, existem palavras que podem permanecer mudas eternamente. Valerá um gesto mais que mil e uma palavras?

Eles e só eles

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E eles são assim. Inconstantes mas únicos, silenciosos mas faladores, divertidos mas meigos, chorões mas sorridentes, insistentes mas amigos.

Palavras para quê?

A todos aqueles a quem a palavra amigo assenta na perfeição.

Presa

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A vida desmontada em quadrados,
Tudo aquilo que conseguia ver.
Severos metais que corrompem a pele,
Das impostas grades de um ser.

Empurrou, espezinhou, gritou até,
Para que ouvissem, para que libertassem.
Ausente a resposta em toda a maré,
Presentes as correntes em todos os que amassem.

Num olhar pretensioso,
Mil e um motivos para ficar,
Nas partidas que o tempo lança,
A alma presa que não mais pode voltar.

A todos aqueles que se libertaram de algo que já teve a capacidade de os prender.

Anjo

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Era bom não era? Era bom quando me dizias ao ouvido: “dorme, tudo vai ficar bem, porque amanhã quando acordares já não te lembrarás do pesadelo.” Sinto saudades destes pequenos momentos, aqueles que eram só nossos. Hoje acordo assustada e angustiada, mas tu já lá não estás, já não me dás a mão, já nem mesmo esperas para que eu volte a adormecer.
A escuridão envolve-me o pensamento, abraça-me a emoção e persegue-me a imaginação. Sonos profundos são agora envolvidos por histórias bizarras, histórias dos medos, histórias dos receios e histórias que não fazem parte de mim. Sempre que fujo destes maus sonhos, acordando para a realidade, percebo que algo não está presente, percebo que o cenário está incompleto. É nestes instantes que me dou conta da falta que me fazes, da falta que me faz a tua presença, da falta que me faz o facto de a tua mão não mais estar junto da minha.
Tento voltar a dormir. Sei que não estás perto de mim apenas porque não te é permitido, não te deixam voltar, não quere…

Esqueceria

Gritas-me no silêncio
Por entre as vozes da multidão,
Depois do nada, depois do tudo
Ignorando o passado,
Apenas esquecendo a razão.

Quero ouvir o que me dizem.
Quero escutar o que me falam,
Ver a voz do mundo,
Conhecer o que resta do tudo,
Ouvir os ruídos que estalam.

Porque não me deixas seguir
Sem ti, sem nós, sem o que passou?
Porque não me deixas ouvir
Tudo aquilo que não grita,
O silêncio que não voou?

Se pudesses recuar no tempo
O que mudarias?
Eu mudaria a tua voz,
Ouviria o silêncio,
Esqueceria um nós.

Grito do silêncio

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Também o silêncio me grita, também o silêncio me destrói e corrompe. Valerão as palavras?

* * *

O tempo passa. O silêncio continua a ser a única coisa que nos une, pois este grita bem alto sempre que a proximidade entre nós aumenta. Julguei que o movimento regular dos ponteiros do relógio alterasse este facto e o exterminasse, de uma vez por todas, mas tal jamais se verificou.
Provavelmente, uma dor prolongada jamais deixará de ser dor, uma angústia prolongada jamais deixará de ser angústia e um silêncio prolongado jamais deixará de ser silêncio. Quando queremos e desejamos algo, devemos lutar para que tal aconteça, isso é certo, mas existem factos que rejeitam qualquer alteração, existem dúvidas que impedem qualquer luta. As lutas apenas se justificam quando os sorrisos emergem e quando as lágrimas se contêm.

A alguém muito genuíno. A ti.

Engano

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(Histórias de alguém...)

O segundos passam. Começo a perceber que sou capaz, começo a perceber que tenho a capacidade de fazer o que jamais imaginei, começo a perceber que nunca conheci verdadeiramente os meus limites. Tenho curiosidade para descobrir mais e mais, para me descobrir a mim mesma, algo que não fiz pois dediquei tanto o meu tempo a descobrir-te a ti, que acabei por me esquecer de me descobrir a mim, simplesmente porque pensei que era o que estava à vista de olhos, o que via todos os dias no espelho e tudo aquilo que as pessoas pensavam de mim. Enganei-me. Enganei-me e sinto-me feliz por isso, sem qualquer orgulho que me impeça de o admitir. Hoje eu sei que sou muito mais do que ideias pré-concebidas de quem quer que seja, sou muito mais do que aquilo que tu me dizias que eu era. O presente representa um dia como qualquer outro, um dia em que o sol brilha lá fora, um dia em que as plantas e os animais, o mar e a areia da praia e o céu e estrelas convivem em perfeita harmonia…

Quando o terror me abraça

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Como é possível alguém não se importar
Contigo, com o teu coração, com a tua alma.
Como é possível alguém ignorar
O teu sorriso, a tua voz, a tua calma.

A curiosidade tem sido constante
A cada segundo, a cada minuto que passa
Mas todos os sorrisos fogem
Quando o terror me abraça.

Mil e um pensamentos,
Mil e uma possibilidades.
Todos eles ilusões,
Todas elas futilidades.

Já é pouco o que resta,
Já nada é o que importa.
Um todo instinto contesta,
Apenas um acto se comporta.

O que pensarão, o que dirão,
Tudo ou nada acontecerá.
As dúvidas, todas elas extintas
E toda uma verdade que se dirá.

A alguém muito genuíno. A ti.

E isto, porque todas dúvidas haverão de se dissipar.

Pro(ferir)

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As barreiras foram impostas
Não por ele, não por nós, mas por mim
E o mais desejado, e o tudo
Era que nada continuasse assim.


Tu sabes, tu sabes o que importa,
Embora nem uma palavra, nada profiras.
Do medo, a paixão morta
Em cada gesto que atiras.

* * *

Estiveste hoje tão perto,
Estiveste hoje tão distante,
Em cada palavra derramada,
A admiração constante.

A dúvida também lá estava,
Em cada letra, em cada verso,
Pois também ela me impedia,
Num todo, numa metade, num terço.

Mantive-me longe,
Não por querer, mas porque sim
Medo, amor, felicidade,
Qual deles será o fim.

A alguém muito genuíno. A ti. E isto, porque por alguma razão existem barreiras.

Grito.

A tua voz grita-me a cada segundo que estás por perto, mesmo que em silêncio. Mil e uma outras vozes ecoam simultaneamente.


E isto, porque haverão sempre pessoas que se distinguirão por entre a multidão. A alguém (muito) genuíno.

Meu.

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-De quem é o teu coração? -O meu coração? -Sim, o teu coração. De quem é? Ainda é meu? -Quando me abraças, quando me beijas, quando me magoas e quando me destróis? -Ahhh... Sim, nesses momentos todos, de quem é o teu coração? Ainda é meu? -De quem é que achas que ele é? Onde é que achas que eu procurei forças para continuar, todas aquelas vezes que me disseste que eu já não era quem tu amavas? O meu coração? É meu e de mais ninguém.
Haverão sempre coisas que nunca nos poderão roubar. Haverá sempre algo que nunca poderá ser nosso.

Falta.

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As perguntas sem resposta continuam cá dentro, dentro do meu coração, dentro do meu corpo, dentro de mim. O meu receio passou a ser uma certeza, pois sei que as questões serão cada vez mais, cada vez mais fortes, cada vez mais notáveis, cada vez mais constrangedoras, e apenas porque tu estarás mais perto, mas mais longe também.
Não consigo viver muito bem com tantas dúvidas, com tantas percas de rumo durante o caminho. Ao pensar em tudo isto, comparo a minha vida a um puzzle, como que usando uma metáfora digamos assim, pois embora este possua muitas peças, as mesmas jamais farão sentido umas sem as outras e a minha existência por cá é isto mesmo, embora eu tenha mil e um assuntos para tratar, mil e um objectivos e mil e um desejos, nenhum deles fará sentido se eu não conseguir conjugá-los, nenhum deles será realizado se eu estiver com a minha mente noutro que ficou por realizar. Cansaço, desilusões, percas... Alguns factores encontro para dar o passo final e duas opções me são apresent…

Duarte

(Histórias de Alguém...)

Hoje vou continuar a história dele, ele que já tem nome . Daqui para a frente chamar-lhe-ei Duarte Pires, Duarte das loucuras, dos sentimentos, dos erros e dos triunfos de alguém.

* * *

O tempo passou no hospital, e com ele mil e um rostos passaram também, mil e uma vidas, mil e um pensamentos, mil e uma preocupações. A hora do regresso a casa estava a aproximar-se cada vez mais, algo que Duarte lamentava, pois estaria ali o tempo que fosse necessário, desde que isso implicasse ajudar alguém, afinal aquele estágio era muito importante na sua vida, pois decidiria o seu futuro enquanto enfermeiro.
Estar longe da família nunca fora fácil, já que desde o primeiro ano da universidade se tinha afastado, abandonando assim Setúbal para vir para Coimbra, visitando a sua cidade nas ocasiões especiais. Contudo, agora a sua situação estava mais complicada, pois o dinheiro passou a ser cada vez mais escasso a partir do momento em que abandonara a residência universitária. Se t…

Ajuda para morrer

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Tu sorris. A vida dá-te a mão e acompanha-te nesta caminhada que é a tua existência neste mundo de momentos. Momentos pequenos, momentos felizes, momentos tristes, momentos em que lutas, momentos em que desistes e momentos em que, por e simplesmente, existes. O sol irradia, tudo evidencia um cenário perfeito, transcendente talvez, ilusório até. Momentaneamente, e sem que possas ter consciência de tal facto, o vento grita, fazendo com que na duração de um sopro o inevitável aconteça, fazendo que percas tudo aquilo que construíste, fazendo com que te seja apresentada uma nova realidade. O sofrimento invada-te o corpo, pois incrivelmente, mas apenas uma doença consegue destruir-te ali mesmo, à tua frente, sem que nada, mas mesmo nada possas fazer. Agora a vida já não te dá a mão para que a possas conduzir, agora apenas vem ter contigo quando esse é o seu desejo, agora apenas te dá o que precisas quando os teus minutos de existência dependem disso. O que pensas? Agora que já viste o que é f…

Chave

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Tu não és ninguém, tu és apenas um pouco do mundo. Um pouco do mundo mas de forma modelada, de uma forma que é só tua.
Não te afirmas, não te mostras, não te impões, afinal não o tens de fazer, pois aconteça o que acontecer serás sempre tu e só tu, sem que ninguém possa alterar isso, nem mesmo eu. Para dizer a verdade, jamais te quis mudar, pois tudo aquilo que és sempre foi o suficiente para eu gostar de ti, assim, à minha maneira. Tudo o que eu quis foi descobrir, descobrir algo que me deixasse fascinar ainda mais, uma parte de ti que fora desconhecida para um qualquer alguém, algo que anulasse ou apagasse todos os comentários negativamente proferidos a teu respeito. Nada desejado foi soberbamente forte para acontecer. Continuas fechado, unicamente e apenas porque não fui suficientemente capaz de encontrar em mim a chave para abrir tudo aquilo que tu mantens escondido. Embora nunca o tenha visto, sou sonhadora e crente ao ponto de acreditar que és muito mais do que aquilo que um com…

Coisas do tempo

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O tic-tac do relógio fazia-se ouvir silenciosamente por entre uma imensidão de melodias. Vinte e duas horas e vinte e três minutos, marcava ele.
Nós, comuns mortais, permanecíamos ali, no lugar de sempre. Apenas nos deixávamos navegar no nosso barco à vela, o tempo, e ele que nos levasse para onde quisesse. As conversas eram alimentadas pelos mais banais temas, os sorrisos nasciam e fluíam naturalmente por entre palavras normais, comuns, palavras vindas de toda uma imensidão de letras. Não eram estas em si que se realçavam, não eram os temas em si que se distinguiam, o segredo estava na forma como se pronunciava cada sílaba, cada vocábulo e isso sim, isso era o mais importante.
As vozes deixavam-se ouvir, o televisor não se cansava de proferir algo que viesse ao nosso encontro, simples movimentos se realçavam pelo som que faziam fluir, e ele lá estava, silencioso mas não parado, silencioso mas não morto. Os seus ponteiros marcavam cada segundo, cada minuto e cada hora passada, sem que …

Chorar

Queria chorar. Não conseguia. As lágrimas apenas me corrompiam por dentro.
´ (Momentos de estupidez)
A todos aqueles que guardam as lágrimas para si, por mais involuntária que seja essa acção.

Permanece

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Ele é um teimoso com ideias muito próprias, mas com quem foi um prazer partilhar esta experiência, que fez com que algumas horitas no msn passassem a correr.
Não é dedicado nem a ti nem a ela, mas sim a mim e a ele.

O mundo pode girar, gravitar ou inclusivé parar. Posso estar aqui, ali, pois o quando, o onde e o como; o hoje ou o amanhã, nada mais interessa. Tudo pode mudar ou ficar inscontantemente constante, mas o centro do meu mundo és tu, a fonte que ironicamente alimenta o meu pensamento. Inocentemente continuas a destruir o pouco que resta do meu coração, mas voltas a recolher todos os pedaços arrancados, juntando-os de novo.
Apesar de tudo o que possuo, presencio e vivo, acabo por ver que não tenho nada. Já nada sobra, já nada fica, já nada se mantém, ficando um tudo vazio.
Ao contrário do que outrora se dizia, nada se cria, tudo se perde e nada se transforma A única tranformação evidente e presente , é a evolução do meu sofrimento, não fisico, pois esse é perfeitamente suportável,…

Palavras, nem sempre vos quero

"Onde basta uma palavra, não sejam ditas duas. Onde basta um gesto pequeno, não há porque usar palavras." José Aldazábal A todos aqueles que não usam apenas as palavras para comunicar.

Coisas (des)interessantes

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Escrevo sobre o que quero, escrevo sobre o que sinto, escrevo o que a minha imaginação me ordena e escrevo sobre tudo aquilo que o dia me oferece. Já escrevi sobre ti, isso também é verdade, mas deixaste de ser um bom tema sobre o qual se escrever.
Quero escrever sobre coisas felizes, sobre o sol, sobre as flores, sobre o mar, sobre os meus amigos, sobre o futuro. Talvez falar deste seja mais agradável do que falar de ti, quem sabe! Quero escrever as histórias fabricadas pela minha imaginação, pois elas exigem mais de mim do que tu, suscitam partes de mim que tu nunca conhecerás e revelam-me bocadinhos da minha personalidade que até agora eram desconhecidos para mim. Um dia poderei mudar de opinião, poderei achar-te um factor suficientemente bom e feliz sobre o qual se escrever, mas hoje simplesmente não me apetece. Esse dia pode chegar amanhã, pode chegar para a semana, pode chegar daqui a um mês ou até pode mesmo chegar para o ano ou ainda pode, por e simplesmente, não chegar. Hoje vo…

Obscura mentira

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(Histórias de alguém...)

Começo a perceber muitas das frases que me disseram até hoje sobre ti. Começo a entender o porquê de muita coisa, porquê esse que me fora escondido por todo um conjunto de emoções que sempre me invadiram o coração.
Antes, nunca me fora dada a possibilidade de descobrir a realidade. Antes, não me eram reveladas as facetas mais obscuras da tua alma. Antes, apenas o teu "EU" mais encantador me fora mostrado.
O facto de viver enganada neste mundo de existências durante tanto tempo, fizera de mim uma pessoa fraca, que agora se deixa abater por tão pouco, depois de descobrir outras características que sempre foram tuas. Desta forma, a desilusão não se deixa atenuar, apenas se vai agravando segundo a segundo, descoberta a descoberta, palavra a palavra. É neste tipo de momentos que não sei bem o que pensar sobre aquilo que conheci de ti. Será que me enganaste? Ou será que apenas me omitiste factos que não me importavam? Penso que talvez não sejas capaz de respo…

Quando o sol nasce na cidade

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(Histórias de alguém…)

O seu coração batia bombeando o resto do corpo de sangue, impulsionando mil e um movimentos, mil e uma tarefas celulares, mil e um sentidos, mil e uma sensações, como que negando o facto de ele estar adormecido na noite, sem proferir uma única palavra, sem dar qualquer tipo de indício de vida emocional. Apenas permanecia ali, deitado e dormindo, manipulado pelo que restava da noite.
Poucos minutos depois, o sol nascia lá bem longe no horizonte, apimentando a cidade com centenas de tonalidades de cores, alternando entre o vermelho, o cor-de-laranja, o amarelo e o cor-de-rosa. Os prédios altos perdiam a escuridão que antes os tinha abraçado e deixavam-se agora clarear para posteriormente se deixarem invadir por toda uma multidão. Nos poucos jardins existentes, começavam a agora a fazer-se ouvir o chilrear das pombas urbanas conjugado com todos os buzinares resultantes de um tráfego matinal.
O tic-tac do relógio não o deixava com espaço para qualquer tipo de manobra, …