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A mostrar mensagens de Julho, 2011

Dos inconvenientes

E, ao que parece, o calor das nossas noites já se faz sentir no humor dos vizinhos. Tudo isto, porque poucos de nós sabem o que é viver em algo com mais de dois andares.

O improviso é quem (mais uma vez) ganha

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Os dias corriam as veias do som monocórdico do vento, até ao momento em que caiu a noite e a simples beleza do acaso. Eram caminhos banais do T2 para a praia e da praia para o T2, discussões diárias pela posse do comando da televisão, danças por entre o fogão e os duches rápidos, noites adocicadas pela pequenez do café e sonos curtos de gente grande. Era um nada que de repente se transformou num tudo.
Já a noite ia a meio no sétimo esquerdo, quando uma porta se fechou com uma chave. Dentro do quarto fiquei eu e duas companheiras: tínhamos “apunhalado” o indivíduo mais disparatado das férias, dada a sua presença (conhecida e apoiada por nós) na sala, para pregar uma partida àqueles que já mergulhavam num dos últimos sonos do dia. A partir desse instante, as noites nunca mais voltaram a ser as mesmas nestas nossas férias num segundo perdido.
Hoje dividimo-nos em tribos e passamos as primeiras horas do dia a invadir a privacidade uns dos outros, em jeito de apelarmos à privação do direito …

Férias Num Segundo Perdido- Dia 1

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O dia começou cedo por entre os preparativos atrasados que se repartiram pelos diferentes membros do grupo, ou assim consta para que não seja eu a única afectada pelo facto, tal como é habitual devido ao meu estatuto de pessoa atrasada. Posteriormente, seguiu-se o transporte, quase que infindável, da bagagem para os próximos dias, que por si só acabou por se revelar uma tarefa árdua, mesmo tendo em conta o número de pessoas.






Os restantes momentos deram lugar ao esvaziamento usual das malas, embora este tenha divergido entre géneros, ou não ficassem as mochilas dos rapazes espalhadas (e cheias) na sala, devido à força das circunstâncias, e as peças femininas organizadas cuidadosamente, traduzindo cenários deste género:



Não fosse o nevoeiro e o dia haveria de ter sido bem mais interessante. No entanto, melhores ventos se esperam para as vinte e quatro horas de amanhã.

Férias Num Segundo Perdido

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Por mais que eu goste dos meus pais e do mais novo inquilino cá de casa (a quem, muito carinhosamente, chamo de irmão), não consigo deixar de me sentir entusiasmada perante o que se aproxima em passos rápidos e a poucas horas de distância. No final de contas, não é todos os dias que tenho a oportunidade de passar duas semanas fora das asas dos progenitores, de forma a fazer tudo aquilo que bem entender, sem qualquer tipo de regras ou restrições (salvo aquelas impostas por mim mesma, claro está). Escusado será dizer que esta minha ansiedade em muito se assemelha à de um adolescente de 16 anos, ao perceber que os pais adormeceram e a janela do quarto facilmente se abrirá.
E, em jeito de melhorar a coisa, sempre tenho a companhia de uns maravilhosos amigos (ou amigos dos amigos), com quem partilharei emoções, sentimentos e um humilde T2. Não fosse a falta da melhor cozinheira do grupo e companheira dos meus longos passeios de bicicleta, e o cenário estaria perfeito.
Tudo isto para ilustra…

Das minhas (quase) férias

Se há coisa que me desperta a futilidade é o facto de eu ter de preparar malas. Vai-se lá saber porquê, mas ele é roupas que definitivamente preciso, objectos para qualquer eventualidade e coisas das quais eu já nem me lembrava ter em posse. Torna-se demasiado complicado escolher algo cujo uso apenas dependerá do meu instinto diário, ou não fosse eu adepta da desorganização e da filosofia do “é aquilo que calhar”. Tudo isto para dizer que uma mala que, aparentemente, parecia gigante, já tomou proporções demasiado reduzidas para o meu gosto e para a minha atitude (pouco) prática.

Como quem muda de camisola

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Pelos dias que correm, vejo mil e uma hipóteses para o meu futuro. Diria até que mudam mais rapidamente do que a minha roupa, ou não fossem mesmo em grande número, mas recuso-me a fazê-lo para que não soe estranho. Contudo, dou por mim a considerar os actos de cobardia um conforto, dado que me sinto um pouco melhor ao perceber que tantos outros estão a passar pelo mesmo que eu neste momento. Pergunto-me se isto será um distúrbio de personalidade ou algo tão normal como o facto do meu pai ver numa pen drive um ser masculino.

Um conceito de vida intelectualmente agitada

Pelos dias que correm, uma vida intelectualmente agitada, pelo menos para estes lados, é sinónimo de noitadas por entre filmes, séries e seus afins; conversas com pessoas que não decoraram aquilo que tinham para dizer, tal como acontecia nos tempos de aulas; e memórias que apenas se baseiam em saber o que fiz, sem que tal esteja associado a um rígido horário, onde não fosse eu intolerante a este tipo de imposições da sociedade. Pois bem, provavelmente, seria uma boa altura para mudar a coisa e começar a estudar para os exames da segunda fase!

Benditos aqueles que sabem tomar decisões

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As decisões de maior importância são aquelas que mais me transtornam, dada a dificuldade que tenho em tomá-las. Sobretudo na fase em que habitam na minha mão todos os sonhos do mundo, por vezes incertos e distorcidos, é certo, mas para os quais conheço o caminho. No entanto, nem sempre o facto de ter a noção do trajecto me permite chegar ao destino desejado, porque coexistem ainda mil e uma outras opções para o percurso. Assim, seria oportuno questionar-me do porquê da existência de uma dificuldade, se possuo cartas, truques e triunfos, mas, no entanto, tal se torna inútil quando me apercebo das consequências de cada acto. E é aí que vive o bicho-de-sete-cabeças. Não é trabalhoso dizer “sim, eu vou fazer isto” ou “não, não vou fazer aquilo”, mas sim medir os prós e os contras daquilo que poderá ser feito.
A fraqueza da espera, do “depois eu penso nisso” e do refúgio nas futilidades do dia-a-dia, é algo geneticamente universal, que me corre no sangue naturalmente, ou não fosse o mapa d…

A arte de improvisar

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O improviso é a arte de uma vida que merece ser contada. Não importa o que os outros possam dizer diante de comportamentos menos apropriados, dado que agarramos o dia da forma que desenhamos, ou não fosse ele nosso. Não importam os gestos que ficaram pelo caminho, mas sim os que existiram para dizer que tudo valeu a pena. Não importam os planos secundários, quando o cenário é concretizado por aqueles que merecem lá estar.

Monólogos de uma mente ensonada

Adoro deitar-me só quando o dia nasce. São luxos que ficarão a faltar quando eu assumir a minha vida de gente crescida.

Constatação (ligeiramente tardia)

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É como algo que se sente, mas não se sabe; que passa pelo ar, mas nunca se respira; que é mentira, mas veste a verdade quando atinge o entendimento.

Não existe um lugar para dois

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Pergunto-me se gostarias que ocupassem o lugar que te pertence; se, pela calada da noite, deixarias que tudo acontecesse de uma determinada forma; se te sentirias feliz por perceber que não restou apenas um vazio depois de ti, depois de tudo; se corroborarias o facto de eu ficar melhor assim. São dúvidas lançadas ao vento com uma mão cheia de incertezas, que jamais deixarão de o ser, é certo.
Mas, sabes, tenho aprendido que as pessoas não se medem aos palmos, até porque, se assim fosse, eu estaria ligeiramente tramada. Da mesma forma, não se vêm pela capacidade de manipulação, pela arte de aproximação, pelos sorrisos que pouco dizem, pelas partilhas que nunca o foram, pelos objectivos traçados por linhas curvas e por detrás de palavras que ficaram por dizer. As pessoas, esses pequeninos seres de coração de pedra e alma de gente, medem-se pelo ser que é apenas porque sim, assim: verdadeiramente.
Para quê deixar ser quando nunca o deixaste de fazer. Para quê, quando existe um lugar que é…