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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quando o sol nasce na cidade

(Histórias de alguém…)

O seu coração batia bombeando o resto do corpo de sangue, impulsionando mil e um movimentos, mil e uma tarefas celulares, mil e um sentidos, mil e uma sensações, como que negando o facto de ele estar adormecido na noite, sem proferir uma única palavra, sem dar qualquer tipo de indício de vida emocional. Apenas permanecia ali, deitado e dormindo, manipulado pelo que restava da noite.
Poucos minutos depois, o sol nascia lá bem longe no horizonte, apimentando a cidade com centenas de tonalidades de cores, alternando entre o vermelho, o cor-de-laranja, o amarelo e o cor-de-rosa. Os prédios altos perdiam a escuridão que antes os tinha abraçado e deixavam-se agora clarear para posteriormente se deixarem invadir por toda uma multidão. Nos poucos jardins existentes, começavam a agora a fazer-se ouvir o chilrear das pombas urbanas conjugado com todos os buzinares resultantes de um tráfego matinal.
O tic-tac do relógio não o deixava com espaço para qualquer tipo de manobra, pois uma simples melodia era o impulso para mais um despertar. Higiene, alimentação e manutenção da vida profissional e familiar, apenas alguns temas que envolviam centenas de acções, aproximando mais rapidamente a hora do início do trabalho. Assim foi, pouco tempo depois, as portas do hospital abriam-se para a sua chegada, uma por entre tantas outras.
Na sua mente apenas pairava a imagem de centenas de pessoas, a imagem de dezenas de vidas salvas, a imagem da ternura e do amor ao próximo característico de uma sala de urgências. Nem mesmo ele conseguia perceber o porquê deste “apenas” ser tão importante na sua vida, na sua passagem neste mundo de existências.

Histórias da vida de alguém, histórias da vida dele.

3 comentários:

tiago disse...

Muito fiche :b
"Altera a cena do stor de quimica"
Já tem no mail o novo texto

Honey . disse...

Claro que ajudo . (:
Fazemos assim , da-me o teu mail , e eu digo-te como por musica aqui .

Anónimo disse...

Quem é ele?