Não existe um lugar para dois
Pergunto-me se gostarias que ocupassem o lugar que te pertence; se, pela calada da noite, deixarias que tudo acontecesse de uma determinada forma; se te sentirias feliz por perceber que não restou apenas um vazio depois de ti, depois de tudo; se corroborarias o facto de eu ficar melhor assim. São dúvidas lançadas ao vento com uma mão cheia de incertezas, que jamais deixarão de o ser, é certo. Mas, sabes, tenho aprendido que as pessoas não se medem aos palmos, até porque, se assim fosse, eu estaria ligeiramente tramada. Da mesma forma, não se vêm pela capacidade de manipulação, pela arte de aproximação, pelos sorrisos que pouco dizem, pelas partilhas que nunca o foram, pelos objectivos traçados por linhas curvas e por detrás de palavras que ficaram por dizer. As pessoas, esses pequeninos seres de coração de pedra e alma de gente, medem-se pelo ser que é apenas porque sim, assim: verdadeiramente. Para quê deixar ser quando nunca o deixaste de fazer. Para quê, quando existe um lugar que ...