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domingo, 3 de julho de 2011

Não existe um lugar para dois

Pergunto-me se gostarias que ocupassem o lugar que te pertence; se, pela calada da noite, deixarias que tudo acontecesse de uma determinada forma; se te sentirias feliz por perceber que não restou apenas um vazio depois de ti, depois de tudo; se corroborarias o facto de eu ficar melhor assim. São dúvidas lançadas ao vento com uma mão cheia de incertezas, que jamais deixarão de o ser, é certo.
Mas, sabes, tenho aprendido que as pessoas não se medem aos palmos, até porque, se assim fosse, eu estaria ligeiramente tramada. Da mesma forma, não se vêm pela capacidade de manipulação, pela arte de aproximação, pelos sorrisos que pouco dizem, pelas partilhas que nunca o foram, pelos objectivos traçados por linhas curvas e por detrás de palavras que ficaram por dizer. As pessoas, esses pequeninos seres de coração de pedra e alma de gente, medem-se pelo ser que é apenas porque sim, assim: verdadeiramente.
Para quê deixar ser quando nunca o deixaste de fazer. Para quê, quando existe um lugar que é só teu.

4 comentários:

Cátia Mourisca disse...

gostei mesmo muito!

Sara Grilo disse...

Mesmo...

Catarina Elwin Haner disse...

É um dos teus textos que mais gostei até agora. Cheio de sentimento, um bom vocabulário e a construção de frases está óptima, melhor não podia ser.
E referente ao texto, acho que ninguém gosta que ocupem o lugar que lhes pertence, apesar de que maioria das pessoas não demonstram esse sentimento de desilusão ou tristeza quando ocupam o lugar deles na vida de outra pessoa.
Mais uma vez, adorei (:

Crazy Girl. disse...

Pois, tens andado desaparecida, mulher ! xD