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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fim da estrada

Pouco querias saber da morte, pois muito sabias da vida. Sorriste enquanto pudeste fazê-lo, choraste quando não mais pudeste evitá-lo, lutaste quando essa era a única forma de sobreviveres e no meio de tantas adversidades e controvérsias, ainda tiveste tempo para me ajudares a crescer e para me arrancares mil e um sorrisos quando eles estavam estagnados por dezenas de lágrimas.
Alguém, muito carinhosamente, me disse que a morte não era nada mais do que um passo para a frente, estando assim excluído o facto de a mesma representar um passo à retaguarda na vida de um comum mortal. Nada mais verdade porque a morte é o futuro, o inevitável futuro, e tu sempre tiveste a noção de tal afirmação, pois jamais me disseste que esta era para ti era um fim cercado de medos e receios.
O sofrimento invadiu-te desde cedo, cedo demais, por sinal. Sempre desejei saber o que te abraçava o pensamento em cada lágrima que derramavas nesses momentos, em cada sorriso que era aprisionado, mas nunca te perguntei, simplesmente porque sempre tive medo de ouvir a resposta. Contudo, era evidente que embora muitas das vezes quisesses desistir, havia sempre algo que te fazia lutar e lutar, contrariando assim todas as expectativas de quem te rodeava. Para ser sincera, sempre acreditei que conseguirias voltar a ser feliz, como outrora tinhas sido, pois sabia que se essa não fosse a crença do meu coração, o meu sofrimento haveria de ser ainda maior, tal como o teu era.
Tu sabias que a partida estava perto, mais perto do que eu imaginava, mas jamais a chamaste, jamais a aproximaste de nós. Sempre me mostras-te que o mais importante não era o quão ela estava próxima, mas sim todos aqueles segundos que ainda terias para viver, todos aqueles segundos que insistias em prolongar. E assim vivia, na margem das tuas crenças e valores, na qual ainda permaneço pois nela me sinto feliz, e então percebo que ainda hoje acredito em ti.
À Estrelinha mais brilhante.

1 comentário:

Anónimo disse...

Se ela é assim como dizes, devias-te sentir honrada por estares a acreditar nos valores que te foram ensinados.