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Sobre rodas

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O regresso ao trabalho tem decorrido sobre rodas, mas a velocidade moderada. De forma gradual, como que a ver como corre, tenho juntado o que restou para tentar fazer o meu caminho nos próximos tempos. Muito se perdeu, é certo, mas agora tenho a oportunidade de, mais uma vez, recomeçar. Ser profissional de saúde no nosso país dota-nos desta flexibilidade para mudar constantemente de vida.

A horta

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Esta semana ainda não me foi permitido o regresso ao trabalho. Neste sentido, aproveitei para iniciar um projeto que ambicionava há algum tempo: uma horta. Tem sido todo um desafio, uma vez que não percebo muito do assunto, mas valha-nos as novas tecnologias para permitir uma pesquisa aprofundada. Na horta já habitam plantações de meloas, melões, melancias, tomates, couves, alfaces e salsa. Resta esperar uma ajudinha da mãe natureza e rezar para que o cão não se aventure por aqueles lados. Talvez tudo dê certo e o entusiasmo não seja perdido!

Desconfinar

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As saudades que eu tinha de ver este mar.

Caixa de Memórias

Gosto de guardar memórias numa caixa, sob a forma de fotografias gastas, objetos gentilmente oferecidos, cartas escritas e bilhetes das queimas das fitas um pouco rasgados. Quando o tempo o permite, gosto de as abrir e acreditar que as trago para junto de mim, como se pudesse viver novamente cada momento. Hoje revi-te nelas, no maravilhoso álbum que me fizeste, com legendas cuidadosamente delineadas. Dou-me conta de que já não me consigo lembrar de ti com tanta facilidade, o que faz com que o meu chão pareça menos seguro. Tento colocar-me no lugar da menina que fui no teu colo, mas nem sempre sou capaz de o fazer. Talvez por ser já uma pessoa diferente ou por simplesmente me falhar a memória, mas resta-me acreditar que, estejas onde estiveres, estás a olhar por mim.

(Re)Construir

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A preguiça tem tomado conta do meu corpo, que se foi habituando a estar preso dentro de quatro paredes. Quando por milagre a consigo combater, agradeço por o ter feito. São quilómetros de estrada ou de terra batida, sinónimos de liberdade que me dá ânimo para reconstruir tudo o que caiu. Sei que algumas coisas já não voltam e que umas quantas oportunidades já se perderam, mas aproveito sempre para depositar a minha esperança em novos desafios.

Escrever

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Sou terapeuta ocupacional e a minha profissão pouco tem de semelhante com a escrita. Quer dizer, normalmente desenvolvemos as competências de crianças e adultos para que possam adquirir e desempenhar a escrita, mas não trabalhamos muito a nossa. O gosto pela escrita sempre me acompanhou ao longo do meu percurso escolar, mas chegada a altura do ingresso na universidade tive de optar por aquilo que me poderia oferecer um futuro minimamente melhor. O que é certo é que a sensação de não me sentir completa prevaleceu, alongando-se aquando a entrada no mercado de trabalho.   Se não fosse este período de isolamento que nos impede de trabalhar no contexto a que estamos habituados, provavelmente continuaria a deixar a escrita para trás.  No entanto, tenho aproveitado para assistir a formações online sobre o tema, participar em  concursos e relaxar perante a organização de pensamentos que só a escrita me oferece. Apesar de gostar muito de ser terapeuta ocupacional, fic...

Organização do roupeiro

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Tenho tentado aproveitar todo este tempo livre para fazer tarefas adiadas há muito tempo. Uma delas é a arrumação do roupeiro, uma vez que no meu dia-a-dia acaba por ficar para segundo plano e a desorganização costuma estar (bastante) presente. Segundo a minha pesquisa, esta tarefa deveria ser repetida todos os meses, o que pelo menos para mim não me parece muito possível em condições normais. Desta vez tentei fazer uma limpeza e organização muito diferentes. Criei algum espaço extra para conseguir organizar melhor as minhas peças de roupa e acessórios. Aqui estão algumas das estratégias que implementei: Retirar tudo do roupeiro e limpar o interior; Separar a roupa por tipo de peças (separar por cores não me faz muito sentido); Utilizar cabides fabricados para peças específicas (ex.: cintos, lenços e calças); Utilizar caixas e outros acessórios de arrumação para criar espaço extra; Usar cabides de diferentes tamanhos (vestidos e camisas, por exemplo, podem ser pendurados ...

Sol

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Há dias em que é difícil acreditar na frase do "vai ficar tudo bem". Querido isolamento social, já trazias um pouco de sol...

Limites

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Valha-nos o céu, porque pelo menos esse não nos impõe limites. Permite-nos sair de casa, dentro de casa.

Aprendizagens de quarentena

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Tudo tem o seu tempo. Não vale a pena querer forçar as coisas. Quando tiver de ser é. Num dia-a-dia sem isolamento social domiciliário não dá para fazer tudo, mesmo que inocentemente acredite que sim. Há que questionar mais vezes os meus próprios julgamentos! É importante definir prioridades, para não andar perdida na minha própria vida. O sonhos e o que gostamos de fazer também importam, mesmo que não nos paguem as contas. Não vale a pena ter medo. O caminho é frente, desde que acredite nele. Os amigos (aqueles que o são mesmo) nunca desaparecem. O mundo lá fora é mais bonito do que parecia.

Porto

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Tenho saudades disto (entre um milhar de coisas mais).

Liberdade em tempo de isolamento social

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Nos dias que correm, as caminhadas pela floresta ao lado de casa são os únicos momentos que me fazem sentir verdadeiramente livre. Há que tirar o lado bom disto!

Encontrar

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Isolamento social também pode ser sinónimo de nos encontrarmos, mas a nós mesmos.

Loucuras da quarentena

Não era pessoa de fazer muitas encomendas online. Infelizmente o período de quarentena fez com que (re)descobrisse as grandes vantagens deste tipo de comércio. A verdade é que por ser extremamente fácil se torna demasiado aliciante. 

Travar as batalhas certas

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Este tempo em casa tem-me permitido fazer muitas reflexões. Umas mais úteis do que outras, é certo, mas são pensamentos que me levam a questionar muito a forma como tenho vivido até aqui. Tenho percebido que muitas vezes as energias que acumulo são mal direcionadas. Ou porque as uso para fazer algo de que não gosto e desempenhar atividades inúteis ou porque insisto em ajudar alguém que não merece assim tanto. Quando chega a altura de fazer algo por mim acabo por desistir. Normalmente devido ao facto do objetivo exigir tarefas deveras complicadas ou demorar demasiado tempo. Talvez haja uma fase na vida em que ganhemos juízo e passemos a travar as batalhas que realmente importam. Confesso que pensei que essa fase a mim só chegaria aos 30. Possivelmente já está a dar o ar de sua graça, porque acho que realmente chegou a altura de fazer algo por mim. Mesmo que exija muito, provavelmente nunca será demasiado.

Pensamento do dia

É tão bom quando temos possibilidade de lutar pelos nossos sonhos. Mesmo em tempo de quarentena.

Vai ficar tudo bem

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Se a planta conseguiu, talvez também nós consigamos.

Açores

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Em Outubro do ano passado visitei a ilha de S. Miguel. Lembro-me perfeitamente de me sentir em casa nas primeiras horas de visita. O facto de ser tudo tão bonito, tão simples, tão puro, fazia com que achássemos que nada era de ninguém. Tudo era de todos e por isso também era nosso. Ultimamente tenho sentido falta das emoções boas que tomaram conta de mim durante esta viagem. Talvez por não as ter agora. Talvez por já não ser detentora de uma liberdade que nem sempre foi tão valorizada como merecia. Se soubesse quando esta pandemia vai terminar marcava já a próxima visita à ilha. Mesmo sem antes visitar outros sítios da minha lista. Voltar onde já fomos felizes também é importante. Principalmente depois de uma má fase como a que estamos a vivenciar agora. Mas é como dizem: “vai tudo ficar bem!”

Quarentena ao 10º dia

Tenho saudades dos banhos matinais tomados por entre a correria do relógio. Das viagens de carro para o trabalho com o ar condicionado ligado- na temperatura máxima e na direção do rosto- para secar o cabelo. Dos lanches esquecidos em casa e dos almoços em 15 minutos. Estava sempre a queixar-me desta pressa e agora tenho saudades.

Séries em tempo de quarentena

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O isolamento social tem-me permitido dar mais atenção ao mundo digital. Apesar de, mesmo estando em casa, tentar estabelecer uma rotina, o período noturno tem dado asas a algumas séries. Toy Boy Não sou grande fã de séries onde se resolvem crimes. Até posso ver um ou outro episódio, esporadicamente, na televisão, mas não costumam motivar-me muito para que as acompanhe episódio após episódio. No entanto, esta série tinha histórias paralelas em redor de um homicídio, deixando-me interessada pelo seu desfecho.  Virgin River É a história de uma enfermeira de uma grande cidade que chega a uma pequena vila, trazendo consigo as marcas de um passado doloroso. Gostei bastante e aguardo a próxima temporada. You Como profissional de saúde, gosto de tudo o que me leve a pensar sobre a forma como a mente humana funciona. Esta série não é exceção, mostrando os lados mais obscuros dos relacionamentos amorosos do protagonista. Aguarda-se a terceira temporada....