Às vezes pergunto-me como uma série pode ser tão pensada ao
pormenor, sem nunca cair no aborrecimento. Talvez por isso seja, sem dúvida
alguma, um dos meus grandes vícios destas férias.
Sou terapeuta ocupacional e a minha profissão pouco tem de semelhante com a escrita. Quer dizer, normalmente desenvolvemos as competências de crianças e adultos para que possam adquirir e desempenhar a escrita, mas não trabalhamos muito a nossa.
O gosto pela escrita sempre me acompanhou ao longo do meu percurso escolar, mas chegada a altura do ingresso na universidade tive de optar por aquilo que me poderia oferecer um futuro minimamente melhor. O que é certo é que a sensação de não me sentir completa prevaleceu, alongando-se aquando a entrada no mercado de trabalho.
Se não fosse este período de isolamento que nos impede de trabalhar no contexto a que estamos habituados, provavelmente continuaria a deixar a escrita para trás. No entanto, tenho aproveitado para assistir a formações online sobre o tema, participar em concursos e relaxar perante a organização de pensamentos que só a escrita me oferece. Apesar de gostar muito de ser terapeuta ocupacional, fico feliz por adquirir outr…
Gosto de me lembrar de onde vim e o quanto me esforcei para chegar aqui. Isso faz-me assentar os pés no chão e deixar-me de ilusões. A vida não é fácil, ponto. Mas é isso que a torna mais bonita.
A preguiça tem tomado conta do meu corpo, que se foi habituando
a estar preso dentro de quatro paredes. Quando por milagre a consigo combater,
agradeço por o ter feito. São quilómetros de estrada ou de terra batida,
sinónimos de liberdade que me dá ânimo para reconstruir tudo o que caiu. Sei que
algumas coisas já não voltam e que umas quantas oportunidades já se perderam,
mas aproveito sempre para depositar a minha esperança em novos desafios.
Comentários
Quando chegares ao fim diz qualquer coisa. :D
Beijinho