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domingo, 13 de junho de 2010

Coisas que os macacos e companhia não percebem


Primeiro afecta. Só depois magoa e posteriormente dói. Mas a vida é isto mesmo, um caminho cheio de feridas, um caminho feito por um corpo saturado, torturado e espezinhado até ao último momento.
As feridas são feitas de erros: os erros voluntários de um alguém, os erros involuntários de toda a gente e os nossos próprios erros, sejam eles de que natureza forem. Contudo, seria de esperar que as feridas não fossem todas iguais, que os erros fossem completamente diferentes e que o coração humano fosse susceptível a uma mera, simples e constante aprendizagem. Mas as coisas nem sempre se processam desta forma, ou melhor, na maioria das vezes as coisas não se processam desta forma!
Errar é humano, toda a gente sabe isso. Erramos uma, duas e três vezes, até mais se for possível. Erramos mas nem sempre aprendemos, pois voltamos a cometer o mesmo erro sem hesitar, sem nos preocuparmos com um "eu", ou até mesmo com um "eles", e ignorando o facto de nos podermos magoar ou de podermos magoar alguém. No entanto, o mais estúpido no meio de tudo isto é que nos deram a consciência, a inteligência e a racionalidade para pensarmos, o que acabamos por não fazer simplesmente porque nos deixamos levar por instintos, instintos esses que até mesmo o macaco, o cão e qualquer outro animal consegue ter.
No final de contas, para que servem a racionalidade, a inteligência e a consciência? Nem mesmo usando estas capacidades conseguimos ser suficientemente egoístas ao ponto de nos defendermos, de evitarmos o nosso próprio sofrimento e de evitarmos os chamados erros. Nem mesmo assim conseguimos fugir da selva em que se tornou a nossa mentalidade. Os macacos, os cães e os animais em geral, esses sim, conseguem viver, viver no verdadeiro sentido da palavra, pois podem não pensar e não raciocinar, mas conseguem agir sem mais tarde poderem vir a sentir a feridas deixadas durante o caminho.

A todos aqueles que hoje sentem as feridas deixadas pelo caminho ao longo do tempo. Aos que erraram e provocaram uma ferida, por mais simples que ele possa ter parecido. Aos macacos, aos cães e aos animais em geral, por terem a capacidade de agir em função das suas vontades e não dos seus pensamentos (benditos sejam).