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domingo, 4 de setembro de 2011

A derradeira verdade sobre o inquilino mais novo cá de casa

O meu irmão, dez anos mais novo do que eu, é a verdadeira razão pela qual, todos os dias, me pergunto “porquê a mim?”.
O sangue que lhe corre nas veias e o seu coração (tão pouco) inocente levam-no a admitir desejos que nem sabia que tinha, dado que não os via na minha pessoa; a querer tudo o que eu quero e a pedir emprestado/ roubar o que já tenho; a desejar ir onde vou, mesmo que não seja o lugar mais adequado para as crianças da sua idade (o que vem sendo agravado pelo facto dos meus amigos alimentarem estes seus instintos, fazendo-o gostarem deles e querer voltar a encontrá-los); a sabotar e esconder o comando da televisão, para poder ver o que quer; a fazer chantagem com o que pode, amontoando, assim, por entre os bolsos, dezenas de moedas, pastilhas elásticas e outras regalias, se o preço for mais alto.
Poderia até dizer que ele é a verdadeira peste da minha vida e que estaria bem melhor com os nossos papéis invertidos, mas não seria completamente verdadeira, dado que também dou o troco, assim, em jeito de fortalecer a criança que há em mim. No fundo, é com ele que aprendo desde as melhores formas de manipular os outros com carinho, às mais diferentes maneiras de demonstrar os meus afectos. Como tal, são estes momentos que permitem descobrir habilidades que esqueci; que me fazem crer que as melhores coisas da vida não se compram com dinheiro e que, na verdade, eu até seria capaz de morrer por alguém, por alguém como ele. E sim, eu sou uma irmã que tanto tem de chateada como de babada!

1 comentário:

Rita Martino disse...

Eu tbm tenho um irmão mais novo. É mais novo do que eu cinco anos, mas por acaso gostava que tivéssemos uma diferença de idades maior... :)