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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um Conto de Fadas


Como qualquer comum adolescente, não vejo a hora de tirar a carta de condução e de ter o meu próprio automóvel. Não consigo também deixar de me sentir curiosa quanto à universidade: o ambiente académico, as festas e uma possível mudança de cidade. Tudo isto para que, por fim, termine o curso (do qual ainda não estou completamente certa) para mais tarde, como que por milagre da natureza, conseguir um emprego que me proporcione estabilidade financeira e consequentes autonomia e independência. Depois, também vem aquele aspecto de deixar descendência no mundo, mas isso é uma outra história que daria pano para mangas, tal como diria a minha avó. Enfim, este é o conto de fadas com o qual, a partir do momento em que existimos dentro das barrigas das nossas mães, estamos destinados a sonhar.
Por mais deslumbrante que se assemelhe o futuro, o presente e o passado não deixam de me parecer tristes e complicados. Já foram algumas as pessoas que vi partir, não pela idade (como possivelmente aconteceria no passado), mas pelos rumos que as suas vidas tomaram. Também são em número significante aquelas que vejo emigrar, não porque querem, mas porque assim tem de ser. De todas as que se cruzaram comigo ao longo do meu percurso escolar e não só, também não são inúmeras as que ficaram, mas inúmeras serão aquelas que verei seguirem caminhos que muito se distanciarão do meu. Por certo, isto não estava escrito, não no meu conto de fadas. Sabido e previsto talvez, mas nunca escrito.
Porém, por entre tempos e contratempos, se alguém se pode queixar, essa pessoa não sou eu. Sou uma privilegiada, isso sim, pois tenho um grupo na minha vida que faz com que o meu conto de fadas seja uma trapalhada mais bonita de se viver: os meus amigos. Já vos tinha falado antes deles. Grande parte conheci na Escola Primária, enquanto que a réstia se veio a juntar ao longo do tempo. Os nossos trajectos no dia-a-dia são completamente diferentes, mas sempre lá fica um momento em que se cruzam, para que a confusão, as conversas que nem tema têm e a chave das memórias se instalem e tomem conta do resto. Não sei bem como isto acontece, mas são instantes como estes que me ensinam que há muito mais para lá dos sonhos, que existe uma realidade tão boa como qualquer vida profissional, familiar e amorosa que seja perfeita, realidade essa com uma força inimaginável. Sendo assim, para quê escrever um conto de fadas quando o que vem por acréscimo é bem melhor?

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