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sábado, 8 de maio de 2010

Especial

Hoje vou escrever sobre um senhor cujo nome desconheço por completo. Mas também, isso pouco importa, pois as pessoas não são feitas de nomes, não são feitas de letras conjugadas, não são feitas de aparências. As pessoas são feitas, e isso sim, de carácter, de características únicas, de defeitos, de virtudes, de personalidades. Ele é a prova de tudo isto, embora eu não o conheça, embora eu jamais tenha falado com ele.
Todos os Sábados lá está na igreja, no sítio do costume. Não grita, não chora, não ri, apenas está presente para ouvir a palavra de Deus, não para chamar as atenções de quem o rodeia. Não se deixa parar pelo facto de não possuir forças para andar, permitindo-se assim caminhar por este mundo de estereótipos com a cadeira de rodas que possui, enfrentando olhares, enfrentando pensamentos alheios, enfrentando as suas próprias dificuldades.
Por vezes olho para este homem e sinto-me pequena, mais pequena ainda do que aquilo que sou. Imagino como deve ser complicado para ele ter dezenas de olhares postos em si, apenas porque não anda, apenas porque é tão diferente como igual, dentro daquelas quatro paredes. Contudo, a cada dia que passa, a minha pequenez aumenta sabendo que ele não se deixa destruir, que ele luta, luta e luta cada vez mais.
Ele pode até nem saber, mas é especial. É especial porque é único, porque tem a capacidade de esquecer tudo aquilo que o torna diferente, focalizando-se apenas no que o torna igual. É especial porque tem a humildade de querer ser transparente quando tem mil e um motivos para ter todas as atenções postas em si, quanto tem dezenas de razões para ser servido de favores e de facilidades. É especial porque quer ser igual, porque quer lutar como todas as pessoas para ter os frutos da sua própria vida.


Em primeiro lugar, a este senhor, a este Homem cujo nome pouco importa. Depois, a todos aqueles que, como ele, lutam diariamente para serem iguais, enfrentando dificuldades físicas, mentais e sociais. Por fim, aos que pensam que são diferentes, aos que se acham infelizes quando têm na mão tudo aquilo que precisam para sorrir mas desperdiçam, aos que gostam de ter postas em si todas atenções dos que os rodeiam.

1 comentário:

Anónimo disse...

2 palavras. Gostei.



Que este senhor viva por muitos anos, e que a sua luta não prove ter sido em vão.