Páginas

sábado, 20 de março de 2010

Gelo de dor

Ouvi o som de alguém a bater à porta. Eram elas! Elas que, estranhamente, estavam juntas àquela hora da manhã, num dia como tantos outros. Não só não achei normal tal facto, como também reconheci o choque e a ausência de emoção nas suas faces. Apenas disseram:
-Acabou! Não aguentou mais.
Simplesmente segui o exemplo delas. Deixei que o choque e a ausência de emoção se apoderassem da minha face, do meu corpo, de mim. Se alguém alguma vez disse, que o acordar para o dia era um acordar para a vida, essa hipótese deixou de fazer qualquer sentido para mim naquele momento. Parte da minha personalidade, do meu ser e até mesmo do meu corpo, deixaram de aguentar o sofrimento, e partiram, tal como tu.
Não, as coisas não podiam terminar daquela forma. Não contigo, nunca com o teu corpo, não connosco. Não me convenceram. Abandonei o meu quarto e percorri o resto da casa. Pessoas, pessoas e mais pessoas. Escuridão, roupas pretas e lágrimas. Lágrimas? Porque é que apenas as minhas não caíam? Nesse momento não soube responder a essa pergunta. Agi maquinalmente e segui-as, ao teu encontro.
Tu estavas realmente ali, mas diferente de todas as outras vezes em que eu tinha tido a felicidade de me cruzar contigo. Estavas pálida, sem movimento. Apenas queria que te levantasses e fugisses dali comigo, e então tentei, mas nada. Peguei-te na mão mas ela permanecia gelada, imobilizada, sem dar resposta à minha carícia. A consciência voltou para onde não devia. Elas tinham razão, tu partiste, mas desta vez sem me levares contigo.
À "Estrelinha" mais brilhante...

2 comentários:

Honey . disse...

« Parte da minha personalidade, do meu ser e até mesmo do meu corpo, deixaram de aguentar o sofrimento, e partiram, tal como tu. »

Adorei a frase . Está tao bonita . $:

Anónimo disse...

Consegues escrever lindamente
Fazes textos como ninguém
Tens um dom definitivamente
como mais ninguém tem

Parabéns pelos teus textos.
Gosto muito.