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Traços

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A minha fraqueza vai traçando a linha de uma pequena concha, onde, por entre mórbidos e ocultos sonhos, desejo esconder e fechar a sete chaves uma totalidade de mim, até que melhores ventos corram. Chamo-lhe de remendo, pois não lhe cabe a palavra remédio, e de possível resposta quando é difícil encontrar a tão procurada solução. Feitos os traços, vêm as cores contrastantes no fundo preto. Um rosa inocente de uma infância em que as decisões foram tomadas por outros; um azul claro marcado pela visibilidade com que se seguiram objectivos tão simples como o pegar de um brinquedo; um branco da pureza de quem jamais cometeu erros não susceptíveis a recordação, como se esta última muito custasse. Por fim, ali fica um espaço, um abraço, um refúgio; não por não gostar de decidir, ir e fazer, apenas porque nada disso é necessário numa tão reduzida área. Uma pequena menina mergulhada no seu mundo preenchido, não só por fantasia, mas também por uma simplicidade de fazer inveja aos mais velhos, é...

Porque o dia começa nostálgico

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Preciso de acreditar que o fim chegou, quando pouco havia ainda começado, e seguir, assim, por um caminho onde nem o rasto das tuas palavras se deixa ficar.

Momentos em que me dou conta de que nada percebo

Eu disse a verdade, nada mais. Nem tão pouco sabes o que me custou dizê-la, dado que era aquilo que sentia. Contudo, hoje dou-me conta da irracionalidade presente naquelas sensações, pensamentos e sentimentos. Simplesmente não percebo como pude sentir tanto, querer tanto e tentar lutar por tanto, quando tudo isso se resume a nada nos dias que correm. No final de contas, vem a contrariedade de não poder prometer que não mais voltarei a fazer o mesmo, em qualquer outra circunstância .

O dia em que te esqueci

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O dia em que te esqueci haverá de chegar, eu sei! Haverá de ser passado porque eu preciso, haverá de ser lembrança porque eu quero e haverá de ser recordação porque novos mundos me serão oferecidos. Por esta altura, tenho mil e uma coisas mais com que me preocupar e mil e uma outras para serem vividas!

Um dia desisto, mas não agora.

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Sabes, não te desejo o pior, por mais que me queiras ver mal. Não retribuo cada gesto que jogas sem pensar, cada olhar de desprezo que lanças sem veres e cada vingança que realizas por coisas das quais eu não tive qualquer culpa. Contudo, não achas que já é demais? Simplesmente não posso ficar em silêncio, contendo também as palavras, palavras essas que me corromperiam por dentro. Falarei até que não mais me possas ouvir, mas é só isso que pretendo fazer. Quando caíres, fa-lo-ás sozinho e verás o quanto dói. Se mesmo assim não aprenderes, aí poderei desistir de ti.

Cada pedaço teu

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- Porque não? As palavras foram proferidas, uma a uma, pelos teus lábios, mas nunca pelos teus olhos. Não as esperava ouvir e sei que foram suficientemente fortes para que a esperança caísse ali, sem que se pudesse voltar a erguer. Não as queria, pois de nada me serviriam, e não as merecia, porque jamais me indicariam um rumo. Qualquer “não” teria vindo em melhor altura, para que eu me abalasse também, de uma vez por todas. A perfeição era uma meta a que não queria chegar e da qual me distanciava, a cada segundo, a cada deslize e a cada erro. Contudo, não seria imperfeita ao ponto de aceitar o teu amor, não daquela forma: um amor suplicado e que nunca me pertenceu. Hoje relembro isto, mais uma vez. Não te julgo e não me repreendo por ter desejado que gostasses de mim da mesma forma que eu gostava de ti. E sabes, com o passar do tempo, sinto uma parte do meu coração vai ficando para trás, caindo, tal como a esperança o fez. Sigo agora em frente, acentuando a minha imperfeição, mas um po...

Na escrita, tudo é mais fácil

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Uma pedra estagnaria o acontecimento e tudo ficaria por ali, a meio do meu caminho. Comigo apenas levaria recordações e uma admiração que por nada se deixaria mudar. De facto, escrito desta forma até parece fácil.

Paralelismos

Foi bom estar num outro mundo durante algum tempo. Um mundo desenquadrado, desequilibrado, ilusório, aparentemente seguro e involuntariamente mentiroso, mas no fundo um mundo agradável de se viver. Contudo, tudo aquilo que possui um início, tem que obrigatoriamente ter um fim, ou não fosse a palavra amor a mais abundante naquela esfera. Mil e uma coisas me passaram ao lado e tantas foram aquelas de que eu não quis saber. Hoje concluo que fui ignorante por não desejar conhecer o mundo ao qual pertenço e por escolher viver num mundo paralelo.

Todos temos dias assim: patéticos

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Dizem que o amor é cego, mas para mim isso não chega. O amor é cego, surdo e mudo. Cego porque corre mas não vê por onde anda, surdo pois mil vozes o contestam embora nenhuma ele ouça e mudo para que possa guardar as palavras que surgiriam como se de uma facada se tratasse. É por todas estas razões que ele se torna irracional, inconsciente e parcialmente instintivo. Talvez seja por isso que nos magoe tanto e, porventura, estes serão os motivos pelos quais ele nos torna pateticamente tão felizes.

Conheço um coração que precisa de férias

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Tento acabar com memórias, mas elas teimam em não querer um fim, como se pudessem ter qualquer tipo de continuidade. Contudo, seria tudo muito mais simples se também o meu coração quisesse desistir delas, mas sinto que não tenciona fazê-lo. Começo a perceber que apenas a minha mente é suficientemente lúcida, realista e fria o suficiente por entre toda esta confusão.

Assim

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Todos os diálogos, mesmo que mudos, têm um fim. Não sei se a vida se divide em capítulos, em fases ou em épocas, nem ocasionalmente equaciono a hipótese de a vida se repartir em qualquer outra coisa. Apenas tenho a breve noção de que algo se começa agora a fechar. O meu único desejo é que sejas tão feliz como eu vou ser, porque o mereces mais do que qualquer outra pessoa. A alguém muito genuíno.

Simples, não?

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Quero-te por perto e pronto. Nada mais simples.

Grito do silêncio

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Também o silêncio me grita, também o silêncio me destrói e corrompe. Valerão as palavras? * * * O tempo passa. O silêncio continua a ser a única coisa que nos une, pois este grita bem alto sempre que a proximidade entre nós aumenta. Julguei que o movimento regular dos ponteiros do relógio alterasse este facto e o exterminasse, de uma vez por todas, mas tal jamais se verificou. Provavelmente, uma dor prolongada jamais deixará de ser dor, uma angústia prolongada jamais deixará de ser angústia e um silêncio prolongado jamais deixará de ser silêncio. Quando queremos e desejamos algo, devemos lutar para que tal aconteça, isso é certo, mas existem factos que rejeitam qualquer alteração, existem dúvidas que impedem qualquer luta. As lutas apenas se justificam quando os sorrisos emergem e quando as lágrimas se contêm. A alguém muito genuíno. A ti.

Quando o terror me abraça

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Como é possível alguém não se importar Contigo, com o teu coração, com a tua alma. Como é possível alguém ignorar O teu sorriso, a tua voz, a tua calma. A curiosidade tem sido constante A cada segundo, a cada minuto que passa Mas todos os sorrisos fogem Quando o terror me abraça. Mil e um pensamentos, Mil e uma possibilidades. Todos eles ilusões, Todas elas futilidades. Já é pouco o que resta, Já nada é o que importa. Um todo instinto contesta, Apenas um acto se comporta. O que pensarão, o que dirão, Tudo ou nada acontecerá. As dúvidas, todas elas extintas E toda uma verdade que se dirá. A alguém muito genuíno. A ti. E isto, porque todas dúvidas haverão de se dissipar.

Pro(ferir)

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As barreiras foram impostas Não por ele, não por nós, mas por mim E o mais desejado, e o tudo Era que nada continuasse assim. Tu sabes, tu sabes o que importa, Embora nem uma palavra, nada profiras. Do medo, a paixão morta Em cada gesto que atiras. * * * Estiveste hoje tão perto, Estiveste hoje tão distante, Em cada palavra derramada, A admiração constante. A dúvida também lá estava, Em cada letra, em cada verso, Pois também ela me impedia, Num todo, numa metade, num terço. Mantive-me longe, Não por querer, mas porque sim Medo, amor, felicidade, Qual deles será o fim. A alguém muito genuíno. A ti. E isto, porque por alguma razão existem barreiras.

Grito.

A tua voz grita-me a cada segundo que estás por perto, mesmo que em silêncio. Mil e uma outras vozes ecoam simultaneamente . E isto, porque haverão sempre pessoas que se distinguirão por entre a multidão. A alguém (muito) genuíno.

Chave

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Tu não és ninguém, tu és apenas um pouco do mundo. Um pouco do mundo mas de forma modelada, de uma forma que é só tua. Não te afirmas, não te mostras, não te impões, afinal não o tens de fazer, pois aconteça o que acontecer serás sempre tu e só tu, sem que ninguém possa alterar isso, nem mesmo eu. Para dizer a verdade, jamais te quis mudar, pois tudo aquilo que és sempre foi o suficiente para eu gostar de ti, assim, à minha maneira. Tudo o que eu quis foi descobrir, descobrir algo que me deixasse fascinar ainda mais, uma parte de ti que fora desconhecida para um qualquer alguém, algo que anulasse ou apagasse todos os comentários negativamente proferidos a teu respeito. Nada desejado foi soberbamente forte para acontecer. Continuas fechado, unicamente e apenas porque não fui suficientemente capaz de encontrar em mim a chave para abrir tudo aquilo que tu mantens escondido. Embora nunca o tenha visto, sou sonhadora e crente ao ponto de acreditar que és muito mais do que aquilo que u...

Coisas (des)interessantes

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Escrevo sobre o que quero, escrevo sobre o que sinto, escrevo o que a minha imaginação me ordena e escrevo sobre tudo aquilo que o dia me oferece. Já escrevi sobre ti, isso também é verdade, mas deixaste de ser um bom tema sobre o qual se escrever. Quero escrever sobre coisas felizes, sobre o sol, sobre as flores, sobre o mar, sobre os meus amigos, sobre o futuro. Talvez falar deste seja mais agradável do que falar de ti, quem sabe! Quero escrever as histórias fabricadas pela minha imaginação, pois elas exigem mais de mim do que tu, suscitam partes de mim que tu nunca conhecerás e revelam-me bocadinhos da minha personalidade que até agora eram desconhecidos para mim. Um dia poderei mudar de opinião, poderei achar-te um factor suficientemente bom e feliz sobre o qual se escrever, mas hoje simplesmente não me apetece. Esse dia pode chegar amanhã, pode chegar para a semana, pode chegar daqui a um mês ou até pode mesmo chegar para o ano ou ainda pode, por e simplesmente, não chegar. Hoje...

Começando pelo fim

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Não sei que palavras usar para me dirigir a ti. Elas são tantas...Como escolher as ideais? Aquelas com as quais vais perceber tudo aquilo que te quero dizer? As perfeitas? Talvez elas nem existam, talvez o problema seja meu por não saber exactamente o que te quero dizer. Posso tentar? Sim posso tentar. Por onde começar? Bem, essa é uma pergunta muito vaga e difícil de responder. O melhor mesmo é começar pelo fim, visto que eu nunca percebi o início disto. Queres saber um segredo? Um segredo que já não é segredo? Algo que todo o mundo já sabe? Uma coisa que muitos perceberam mesmo antes de eu e tu percebermos? Algo que me tem dado voltas à cabeça constantemente? Pois bem: Eu adoro-te. Quero estar contigo. Simplesmente porque és importante para mim... O que fazer? Bem, a isso não sei responder, embora não tenham faltado sugestões. Viver passivamente pode tornar-se confuso... A alguém muito genuíno. A Ti.

Estradas (Parte II)

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À estrada escura voltei. Tu ainda lá estavas. Andei, andei, andei, Enquanto tu me esperavas. Desilusões, rancores, dor, Tudo foi esquecido nesse momento. Apenas queria o teu amor, Tão desejado há muito tempo. Pela primeira vez, A ti consegui chegar Pois as decisões tomadas. Me permitiram te encontrar. Ao olhar-te nos olhos, Não vi o antes visto. Não eras quem me cativou, O que eu queria não era isto. Não me perguntes o porquê, Pois mais uma vez, Dele não saberei, Só sei que tudo mudou, Embora saiba que errei. Finalmente perdi a corrente, Que a ti me aprisionava. Talvez possa seguir em frente E esquecer o que me parava. Já não tenho correntes que aprisionem a minha alma à tua. Posso seguir em frente. Gostava de saber se o meu instinto está certo. Algum dia me poderás responder? A alguém muito genuíno...